domingo, 29 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

segunda-feira, 9 de março de 2015

TESTAMENTO



TESTAMENTO

Deixo-te as latas vazias
de um porre sem vinho;
deixo-te o abrigo
das pontes,
as sílabas do musgo,
a fúria de meus sapatos.

Deixo-te ainda
a minha radiografia:
o vão que fui
entre duas costelas.

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Visão do crítico Francisco Carvalho sobre Jorge Tufic:

"Com os seus micropoemas, Jorge Tufic confirma o seu talento de mestre indiscutível da poesia e da arte."

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Obras poéticas de Jorge Tufic:

Varanda de Pássaros (1956); Chão sem Mácula (1966); Faturação do Ócio (1974); Lâmina Agreste (1978), Os Mitos da Criação e Outros Poemas (1980); O Traço e o Verso (1985); Poesia Reunida (1987); Boléka, a Onça Invisível do Universo (1995); A Insônia dos Grilos (1998); Sinos de Papel: Haikais (1998); Poema-coral das Abelhas (1999); Quando as Noites Voavam (1999); Sonetos (2000); Dueto para Sopro e Corda (2000); ZÉfiro com Sonata Barroca (2004); O Sétimo Dia (2005); Guardanapos Pintados com Vinho (2008)

quarta-feira, 4 de março de 2015

AS QUATRO ESTAÇÕES E OUTROS HAI-KAIS


AS QUATRO ESTAÇÕES E OUTROS HAI-KAIS
      
Nunca a vi chegar
nem partir; pus-me a sorrir
ao vê-la passar.


Sem mais guarda-chuva,
rompe o sol; com guarda-sol
e olhar de saúva.


Violino à Verlaine
o outono é folha sem dono.
Lama de ninguém.


O inverno, me disse
um velho que tinha um castelo:
é irmão da velhice.